11 setembro 2016

O Amor e as Imperfeições

Olá queridos leitores !Uma das coisas que mais gosto de ler.  são  crônicas ou artigos. Que normalmente, abordam  assuntos do cotidiano ou de sentimentos, que são tipos de cada um de nós. Na maiorias, das vezes, ao ler um artigo,nos identificamos, e nos emocionamos. Os bons artigos e crônicas, nós descrevem, nós revelam,  e nós fazem refletir.

O assunto hoje do artigo do Gabriel Chalita postado pelo Jornal O Dia.  "O Amor e as Imperfeições" Faz uma bela reflexão sobre a família. Sobre pais implacáveis, quando se trata dos filhos serem os melhores em tudo. Mas o oposto também existe.  Pais que sabem compreender, que os filhos também erram, e que nem sempre, podem ser infalíveis. Enfim é um belo e valioso artigo, que ressalta   acima de tudo o valor do amor e compreensão os pais, diante das imperfeições e fracassos dos filhos.

 Bia Oliveira


***

Era um dia qualquer. Hora do jantar. A filha, quase adolescente, tinha os olhos marejados. Chorara solitária lamentando algum erro.
A mãe e o pai, atentos, perceberam logo. A mãe disse à filha que depois conversariam. O pai quis saber o que ocorrera. Entre eles havia diálogo. E ternura.
O irmão mais velho estava apressado. Mas guardou sua pressa e permitiu que a irmã dissesse algo. Ela não quis dizer. Pediu desculpas, mas preferia o silêncio e, se possível, ir para o quarto. O pai lhe disse que poderia ir, mas, se ela não dissesse o que estava acontecendo, ele ficaria muito triste. Ela era sua filha, o seu amor. E ele estava ali para emprestar a sua ternura, qualquer que fosse o ocorrido.
A filha chorou e, entre soluços, soltou: "Eu errei". E não conseguiu prosseguir. O pai a abraçou e emendou: "Eu também". A filha olhou para o pai e quis saber quando. O pai prosseguiu: “Hoje". Deu uma pausa e seguiu: "Ah, ontem, também". E mais um silêncio e uma troca de olhares: "E, também, antes de ontem". A filha sorriu. "Pai, estou falando sério. Tirei nota baixa. Isso nunca tinha acontecido. Fiquei nervosa. Não sei o que aconteceu. Era prova oral. Eu...". O pai interrompeu a filha e levantou o copo com suco. "Vamos brindar”. "Brindar?!", estranhou a esposa. "Brindar a imperfeição da nossa filha. Ela é como nós. Ela erra. Que bom. Ela é humana". A filha abraçou o pai, sorrindo.
Cena do cotidiano de uma família. Poderia ter tido outro desfecho. Há pais que projetam nos filhos o sucesso que não obtiveram na vida. Há pais que sonham com filhos perfeitos. Que não erram jamais. Que não demonstram nenhuma fragilidade. Que sejam heróis. Os heróis de verdade não são os que não cometem erros. Os heróis de verdade são os que se preocupam com os erros dos outros e com os próprios e que se põem a caminhar fraternalmente. Nas quedas, é bom encontrar uma mão que nos ajude a levantar e um abraço que nos ajude a perceber que não estamos sós. Nas quedas, é bom saber que a vida prossegue. E que os instantes se sucedem nos explicando que o tempo do amor tem o poder de cicatrizar a dor.
O problema da menina pode parecer simples. Uma nota baixa. Mas um vulcão de medo a tomou
desprevenida. Medo de não dar certo na vida. Medo do erro. Medo de não ser amada por isso. O pai mostrou o cenário correto. Todos nós erramos. E os erros nos humanizam! Os erros nos aproximam. Os erros nos preparam para o acerto maior. Ter um norte na vida. Um tema. Uma disposição para cuidar e ser cuidado. Amar e ser amado. Generosamente. Brindemos a família, então. A que erra. A que ama.
Por: Gabriel Chalita (fonte: O Dia) | Data: 11/09/2016.

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